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À volta do couvert

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(Exemplo do couvert mais tradicional)

Sempre foi uma questão de dúvidas! Couvert é uma palavra francesa, sendo o particípio passado do termo couvrir (cobrir), já usada no século XIX e que teria vários significados ou utilizações diferentes. Chamava-se couvert a todos os utensílios que estavam colocados sobre uma mesa para uma refeição. A expressão levantar o couvert correspondia a desembaraçar a mesa de todos os utensílios e, em português, significa “tirar a mesa” ou “levantar a mesa”. Couvert também poderia indicar o número de convivas para uma refeição. Couvert de table corresponderia, ainda, aos talheres de base para a montagem de uma mesa: o garfo, a faca e a colher. Na corte francesa também se utilizava a expressão petit couvert du Roi para identificar uma refeição simples ou grand couvert para uma refeição de aparato ou banquete.

Couvert corresponde em termos correntes a um montante fixo de pequenas iguarias, e que deverão ser mencionadas, assim como o seu preço, na lista do restaurante. E o seu preço é muito variável de casa para casa e, especialmente, aos respetivos conteúdos. Ora é sobre este conceito de couvert que vos dirijo estas palavras.

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(Um couvert diferente)

Habitualmente era quase obrigatório, após ocupar uma mesa, que nos colocassem pão e manteiga, às vezes acompanhado de azeitonas, azeite e ou patés. Era o couvert clássico. Por uma questão de gosto não tenho o hábito de comer pão com manteiga exceto quando o serviço está demorado, significando um mau princípio para a refeição. Sobre os queijos nunca entendi muito bem quando propõem o consumo de queijos intensos ou de gordura elevada antes de iniciar o repasto. Para onde vai a estética do gosto… Certo que há bocas para todos os gostos, e os restaurantes também gostam de faturar.

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(Mais uma fórmula diferente)

Na sequência do Decreto – Lei nº 10/2015 de 16 de janeiro de 2015, e que entrou em vigor dia 1 de março de 2015 têm-se ouvido interpretações várias e, naturalmente, algumas dúvidas quanto à sua aplicação. Tenho recebido pedidos de opinião sobre o assunto aos quais me tenho desculpado, não por não ter opinião, mas por não desenvolver opiniões erradas quanto á sua interpretação e aplicação. No número 3 do Artigo 135º pode ler-se: “Nenhum prato, produto alimentar ou bebida, incluindo o couvert, pode ser cobrado se não for solicitado pelo cliente ou por este for inutilizado.” Parece-me que o bom senso seria o indicador das atitudes a tomar. Esquecemo-nos neste tempo de informação, excesso de informação e desinformação, que os clientes nem sempre estão bem informados, da mesma forma que também não se pode generalizar que os clientes estejam em permanente atitude de golpe para comer e não pagar. Para entender melhor este número 3, deve ler-se o número 2 que transcrevo: “Para efeitos do disposto no presente artigo, entende-se por couvert o conjunto de alimentos ou aperitivos identificados na lista de produtos como couvert, fornecidos a pedido do cliente, antes do início da refeição.” Parece simples, não é?

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Mais couvert 

Há países, o Brasil por exemplo, onde se pergunta quase sempre ao cliente se deseja couvert. Parece-me que por aqui se deveria incentivar essa prática. Mas, alterar as mentalidades é sempre o mais difícil. Mais difícil ainda entendê-las! As brigadas de mesa, e perdoem-me os senhores empresários que me parece continuarem a não investir nestas brigadas, deverão saber entender o cliente que atendem. E o mais fácil será sempre, por vias das dúvidas, perguntar se desejam o couvert. Também o cliente deverá ter o bom senso de, quando utilizar o couvert, não utilizar a letra da lei para assim obter o benefício de não pagar. Acredito que dentro de um ano ninguém mais discutirá este assunto.

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Mais couvert 

Reconheço que sou suspeito sobre este assunto pois não consumo couvert. Para mim o couvert serve apenas para colmatar o atraso de serviço da refeição. E gosto de entrar logo com a refeição: entrada, parto e sobremesa. E não quero contar aqui casos de exceções, pela negativa, que conheço. Que até mim, que me considero informado sobre este assunto, me acontecem. Muitas vezes informo que não desejo couvert. Quando chega a conta está debitado…! Já me aconteceu não querer couvert ou qualquer outra entrada mas me quase forçarem a provar, que querem a minha opinião, e depois aparece na fatura…

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Mais couvert 

Cuidado com os oportunismos, ou no aproveitamento indevido, digamos, imoral da leitura simplista da lei.

Bom apetite!

© Virgílio Nogueiro Gomes

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 Um couvert bem recheado
 
 
 
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Manteigas de um couvert
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